Em busca da Felicidade...

"Aprendamos a suportar as dificuldades com paciência. Saibamos ouvir sem discutir. Compreendamos para sermos compreendidos. Sigamos na estrada do bem, abrindo o coração através do sorriso. A felicidade não entra em portas trancadas."
(Emmanuel)



Procurar a felicidade eterna é a melhor maneira de ser infeliz. Não temos obrigação de ser felizes nem fomos colocados no mundo para alegrar os outros. Nascemos para ser nós mesmos - a tarefa mais difícil de todas. Privamo-nos do direito à tristeza. Ao menor sinal de sua presença, entupimo-nos de antidepressivos, como se momentos de introspecção fossem doença e o padrão normal fosse vivermos imersos numa comédia romântica infindável. Pior: fosse essa capacidade a medida de nosso êxito. Mas o êxito só pode ser medido pela aptidão de abraçar as nossas falhas, de lidar com o que não gostamos ou entendemos em nós - o nosso maior êxito é ter coragem de assumir quem somos e deixar de imitar condutas incutidas e socialmente aceitáveis.
Homens choram, sim. Mulheres, mesmo nos dias de hoje, podem ser meigas. Estar sempre preparado para o ataque é tarefa de leopardos, não nossa. Alegria incessante é função dos apresentadores de TV.
Precisamos, com urgência, relaxar e aceitar que "Um dia de chuva é tão belo quanto um dia de sol/ Ambos existem; cada um como é" (Alberto Caeiro). Só assim respiraremos tranquilos, sem nos sentirmos fracassados, diante de uma melancolia corriqueira. Para parar de ter medo do bicho-papão que vive debaixo da cama, é preciso olhar para debaixo dela: medos só perdem a força quando são firmemente encarados. Acabamos com a vida de maneira letal ao exigir extrair prazer de tudo o que nos cerca: a comida deve ser orgásmica; o cinema, brilhante; o amor, estelar. Incutimos até num pedaço de bolo a obrigação de nos inundar de prazer. E essa busca demente da felicidade torna-se demoníaca porque traz consigo a massacrante sensação de derrota - nada é capaz de nos suprir de alegria, por mais esforço que façamos, porque precisamos do desalento eventual para sermos completos. Só nos contos de fadas aparecerá o herói, a mítica figura salvadora, que decretará: "Todos serão felizes para sempre", e a dor desaparecerá. Na vida real, somos completamente responsáveis pelo que fazemos connosco, ninguém executará a tarefa por nós.
Não conseguimos - por mais que acumulemos itens, pessoas, realizações e prémios - sorrisos perenes e autênticos. E sentimo-nos (às vezes, vagamente; outras, arrasadoramente) perdedores, fracos, largados. E então exigimos a felicidade. Clamamos por ela. Entorpecemos tencionando atingir o êxtase perfeito. Bebemos. Cheiramos. Usamos tudo o que possa alterar o nosso ânimo, que ofereça uma breve promessa do paraíso, dilua a angústia. Qualquer coisa que nos deixe felizes até o dia seguinte, de onde recomeçaremos o ciclo, ignorando os motivos desse vazio incómodo que clama para que vejamos a nós mesmos. A alegria não virá dentro dos sacos de compras, no porta-luvas do carro novo, nas coxas duras da conquista da semana: essas coisas são a nossa dose diária (e até necessária) de anestesia que adia encararmos o facto mais banal e amedrontador da vida: não existe bálsamo milagroso para a nossa solidão intrínseca, ela faz parte de nós tanto quanto a vontade de rir solenemente - ignorá-la é fechar a porta para tudo o que ela pode ensinar. Ignorá-la é enterrar metade de nós.

"Vive de tal forma que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade e não deixes ninguém afastar-se de ti sem que leve um traço de bondade, ou um sinal de paz da tua vida". (Joanna de Ângelis)

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Irretocável

Tenho cabelos castanhos com madeixas louras, para esconder os fios brancos. Não me lembro exatamente em que ano eles começaram a branquear...não foi há muito,e ainda são poucos… Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também não me recordo quando elas começaram a aparecer. Tento disfarçá-las, tantas novidades no campo da dermatologia, achei por bem aproveitá-las.
Do corpo não cuido muito, não faço exercício, por falta de tempo…apenas controlo a alimentação para não engordar.
Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são um cartão de visita. Unhas maltratadas causam uma péssima impressão.
De há uns anos para cá descobri os cremes e aí compro um aqui, outro ali e no final não uso nenhum, mas compro, só de olhá-los na prateleira já percebo que as rugas se retraem.
Sou assim, vaidosa, mas não sou em excesso, penso que sou na medida certa, na medida correta para uma mulher.
Enfim os anos passam e as marcas que eles deixam em nós, não temos como conter. Nem pretendo isso. Acho que cada marca que meu corpo apresenta tem uma história.
Às vezes dou por mim em frente do espelho descobrindo uma nova ruga e começo a pensar o que a causou. Depois encontro outra que já está lá vincada há anos e recordo que ela apareceu quando perdi um grande amor.
Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, marido, amigos que os fizeram aparecer. Não quero desfazer-me de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las, acho que mereço isso. A vida deve-me isso.
Atualmente a parte que merece mais atenção minha tem sido a cabeça. Tento todos os dias colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias. Corpo e mente caminham juntos, se um estiver em estado lastimável o outro provavelmente vai se deteriorar.
Não escondo a minha idade, não adiantaria dizer que tenho trinta e apresentar um filho de dezoito. Portanto eu confesso, tenho quarenta e seis anos. Metade deles, bem vividos, a outra metade muito sofridos. Mas é exatamente aí que está o encanto da minha idade.
Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser a pessoa que sou hoje. Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.
As minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir, muitas vezes, quando o coração chorava.
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